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Içar velas!
01Jul2008 00:00:00

Içar velas! 
 

LUSIADAS_capa_low.jpgEm Lusíadas 2500, da Companhia Editora Nacional, é notável o apelo visual. 
 

A obra máxima de Luis Vaz de Camões ganhou um aspecto de, digamos, grafic novel futurista através das mãos do ilustrador e adaptador Lailson de Holanda Cavalcanti. 
 

Eu que jamais em outros tempos houvera me iniciado nos Lusíadas, dado o carácter europeizante do épico, integrei-me dos Cantos I, II, III e IV num fôlego só. Se, outrora, aquela sequência de versos talhados em português quinhentista a mim parecia pouco palatável, agora parece-me um episódio de Guerra nas Estrelas. Penso que, por uma questão de contexto histórico, Camões desconhecia outras manifestações culturais pralém mar. 
 

Causou-me estranheza saber que o DNA do poeta foi "implantado" num robô Registrador (o robô apresenta defeito num dos "olhos" para parecer mais realista) e ver as caravelas de Vasco da Gama flutuando no espaço feitas projeções holográficas me fez concluir que não sou o único sonhador na face da Terra. 
 

Agora, preservado o texto original em quadros laranjados (as ilustrações são esplendorosamente coloridas), o que mais chamou a minha atenção foram as curvas da Ninfa Diana. Lailson caprichou. Parece que ele se inspirou em Gisele Bundchen  vestida de água. Mamma mia! gisele.jpg
 

Não se preocupe, o aspecto didático e o clássico estão finamente, eu disse finamente preservados. Haverá quem considere diversas palavras do texto erro de digitação, mas não passa de Português arcaico. Quem tiver dificuldades poderá ler as ilustrações, um ótimo começo... 
 

Guerras, cidades exóticas, dramas familiares em nome do poder, o amor entre D.Pedro I e Inês de Castro, um passeio pela História das navegações na epopéia de Camões. 
 

Em síntese, qualquer fã dos heróis da Marvel Comics amará essa edição. Uma aventura extraordinária, mítica e mística  com "cor local". Em alguns momentos eu me senti como se presenciasse a uma sessão espírita no melhor sentido. 
 

Digno de transcrição é o trecho dito por um ancião que lembra Moisés com seu cajado: -" Ó glória de mandar, ó vã cobiça/ Desta vaidade a quem chamamos Fama!/ Ó fraudulento gosto, que se atiça/Cua aura popular, que honra se chama!/Que castigo tamanho e que justiça/Fazes no peito vão que muito te ama!/ Que mortes, que perigos, que tormentas,/Que crueldade neles experimentas!"

Lecy Pereira Sousa



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